quinta-feira, maio 18

Ação de Formação de Treinadores no CPC


A Federação Portuguesa de Xadrez promove no próximo domingo, 21 de maio, uma ação de formação de treinadores aqui no Clube Peões da Caparica. A ação de formação é dada pelo MI António Froís, e terá como tema

O Xadrez em 2016. Parte 2: Os Campeonatos Mundiais

Tem o custo de 5€. Esta ação destina-se a treinadores de grau 1/ 2/ 3 (e outros interessados se existirem vagas

Mais informações e inscrições são realizadas no sítio da FPX: 
http://www.fpx.pt/web/actividades-e-formacao/formacao-certificacao-de-treinadores/formacao-continua

terça-feira, maio 16

MI Malkhaz Sulashvili no II Open Internacional de Xadrez da Caparica

Malkhaz Sulashvili no Paul Keres Memorial A (2007)
O Georgiano Malkhaz Sulashvili é o primeiro Mestre Internacional a inscrever-se no II Open Internacional de Xadrez da Caparica.
Com 2378 de ELO, este cotado jogador tem no seu palmarés o título de Campeão Georgiano na categoria Sub-20, bem como várias vitórias em provas internacionais, como o 6th International Caspion Cup Chess Tournament, disputado em 2007 no Irão e o International Ataturk Chess Festival 2007 – Open, prova que se desenrolou na cidade turca de Adana-Seyhan, no mesmo ano.
Apesar de ultimamente não ter estado ativo, não deixa de ser um forte candidato ao pódio do  II Open Internacional de Xadrez da Caparica.

sexta-feira, maio 12

Jovens do CPC vencem no XXIX Torneio Interescolar de Xadrez do Concelho de Almada

Decorreu no último dia 9 de Maio, das 14:30 às 17:30, o XXIX Torneio Interescolar de Xadrez do Concelho de Almada. Esta prova realizou-se na Escola Básica de Vale Rosal, na Charneca de Caparica, pertencente ao Agrupamento de Escolas Daniel Sampaio.

O Torneio Interescolar de Xadrez do Concelho de Almada reúne os alunos das várias escolas do concelho em que existe a prática do xadrez, numa competição dividida pelos vários níveis de ensino. Na edição deste ano inscreveram-se 250 alunos em representação de 17 escolas.

Os jovens do CPC Miguel Martinho e Tiago Machado representaram as instituições de ensino  que frequentam: Escola Básica Carlos Gargaté da Charneca de Caparica e Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade de Almada, nos escalões de 2º ciclo e 3º ciclo, respetivamente.

O Miguel e o Tiago estão de parabéns pela conquista do 1º lugar nos respetivos escalões.




 





O CPC felicita os organizadores da prova e agradece a recepção prestada pela professora Manuela Cangueiro, pelo mestre João Leonardo e pelo árbitro Carlos Ferreira.


quinta-feira, maio 11

O Peão Américo Costa joga para Campeão


O Campeonato Distrital de Xadrez de Setúbal visitou o Clube Peões da Caparica (CPC) na 2ª e 3ª rondas, a 29 e a 30 de abril. Esta prova com total de 33 inscritos, contou com a presença de 7 jogadores do CPC: Américo Costa; André Pereira; Fernando Amaral; Miguel Martinho; Tiago Machado; Alberto Martinho; Miguel Monteiro.

O Campeonato vai entrar na última ronda neste sábado 13 de maio. Tem sido uma prova calma. Após as primeiras 5 rondas, entre os primeiros 10 classificados, só há surpresa no 10º lugar, ocupado pelo João Neves, que subiu 8 posições, em relação ao seu ranking inicial.

Na última ronda do Campeonato (aqui) nos primeiros tabuleiros encontram-se 3 jogadores do Clube Peões da Caparica com possibilidade de chegar aos lugares no pódio: Américo Costa, Fernando Amaral e André Pereira.
 

Só o Américo Costa, que jogará de negras no primeiro tabuleiro, tem ainda a possibilidade de lutar pelo título, se conseguir levar de vencido o seu oponente, até ao momento invicto, Hélder Figueiredo. 

Boa sorte para todos os jogadores do CPC, nesta última ronda.
 

Fica o reconhecimento pelo trabalho do Luís Simões Reis, que preside à Associação de Xadrez de Setúbal e no Campeonato Distrital é o árbitro e diretor de prova, e tornou público as partidas desta prova.
 
Em minha opinião as melhores partidas desta prova até ao momento envolveram o Américo Costa e o Hélder Figueiredo, respetivamente na 1ª e 2ª ronda.
 


Ronda 1: Américo Costa - João Neves (1224) 0-1 (melhor partida)
Após um erro de cálculo, com oferta de peça por parte do Américo, o João não se fechou em torno do lucro. Antes, partiu imediatamente para a simplificação do jogo, por troca de material. Neste processo que o Américo tentou contrariar, o João ainda beneficiou de mais um golpe tático que lhe aumentou a vantagem.



Ronda 2: Hélder Figueiredo – Pedro Apolónia (1498) (2º melhor partida)
O Pedro a jogar de negras manteve uma vantagem considerável até à 21ª jogada mercê de um erro de cálculo do Hélder. Depois do 21º lance, a diferença de ELO entre os jogadores veio ao de cima. O Pedro pressionado por ameaça de golpe tático não conseguiu reagir da melhor forma e acabou por perder a batalha….

PS. Este post foi feito com gosto a pedido do meu amigo Jorge Gomes (FCP)!!

Caminhda Noturna de dia 12 adiada para dia 2 de junho à mesma hora e local, por razões atmosféricas e mau estado do mar. Agradecemos a sua compreensão. .


sábado, maio 6

Fischer contra Spasky visto do pós PREC


Podemos perguntar-nos como seria o Xadrez após a Revolução de Abril e após o período do PREC (Processo Revolucionário em Curso), isto é, por volta do ano de 1976. Comece-se por observar o cartaz do Campeonato Nacional de Rápidas de 1976 (de dimensão A3, com o regulamento no verso do cartaz), que aconteceu em Abrantes, com o deste ano que irá acontecer aqui em Almada. Muito interessante ver o Xadrez Ribatejano ter um peso considerável nesses anos.
Fernando Silva - Campeão Nacional de Xadrez de 1975-1977 (lista completa)|@ RPX in FPX
As publicações na área do xadrez eram inexistentes. A comunicação social, aliás como hoje, não tinha grande interesse por este desporto. No entanto, havia uns carolas na FPX que resolveram meter as mãos à obra e lançaram um Boletim gratuito, para divulgar tudo o que se ía fazendo; contextualizar do ponto de vista teórico o xadrez, apresentado análises de partidas; e sugerindo processos de implementação deste desporto nos mais diversos meios.


Neste contexto, gostaria de partilhar um artigo muito interessante, que apareceu no nº 2 do Boletim da FPX, publicado a 15 de junho de 1976. Nesse artigo, que surge em jeito de editorial, revisita-se a mais mediática e influente prova de Xadrez mundial do Século XX – o Campeonato Mundial de Xadrez de 1972. Nesta mensagem discute-se como essa prova e a Revolução de Abril trouxeram alterações na forma como se via o Xadrez no Portugal daqueles dias. 



1972. Campeonato do Mundo de Xadrez. Robert Bobby Fischer-Boris Spasky.
Durante mais de um mês e meio, concretamente de 11 de Julho até 1 de Setembro, o Mundo foi abalado. Não só o Mundo restrito do Xadrez, mas até e, em termos relativos, talvez mais, o Mundo todo, xadrezista ou não, muitas vezes mais político do que qualquer outra coisa. Nunca Portugal, no seu pequenino orbe, “orgulhosamente só”, dedicou tanto (ou tão pouco) ao tabuleiro dos 64 quadrados brancos e negros. Fischer contra Spasky. Estados Unidos contra URSS. As duas ideologias, a matéria desportiva misturada com a política. Divulgação do Xadrez, sem dúvida, mas acima de tudo exploração do mesmo. (…) . Hoje as pessoas que querem jogar Xadrez, sentem o desejo de o fazer, sentem o Xadrez pelo Xadrez, reconhecem o razão de o praticar, o porquê da sua importância.
(…) O Xadrez, essa espécie de ritual, mais arte do que jogo, mais ciência que jogo, deseja-se por aquilo que é, pelo fascínio que exerce.
(….) Surgem núcleos interessados em toda a parte. Para além das agremiações desportivas, culturais ou recreativas, há o que não havia – os órgãos populares de base (comissões de moradores, comissões de trabalhadores) que (…), se empenham na prática da modalidade pela importância que ela assume no processo de aquisição de uma cultura não elitista (…).


Para ver exemplos do desenvolvimento do xadrez do País, proponho que voltem a ler o artigo sobre o início do xadrez em Vila Nova de Caparica (aqui).Para saber mais poderão consultar o Boletim nº2 (cedido pela Srª Fátima Raposo) (aqui). O Boletim nº1 está disponível na página da FPX, que pode ser encontrado aqui. Infelizmente, só são conhecidos estes dois números do Boletim da FPX (i.e. a Biblioteca Nacional também só dispõe destes números)

sexta-feira, abril 28

Xadrez da resistência antifacista portuguesa


Por volta do ano de 1985, estando há cerca de 2 anos no concelho de Torres Novas, onde realizei o ensino secundário, participei com diversos amigos - António Alves, Vitor Antunes (ambos ainda jogadores regulares), e outros - na criação do Grupo de Xadrez de Torres Novas. Este clube teve como padrinho Canais Rocha o director do jornal local - O Almonda. 

Peça de xadrez feita de miolo de pão do filme alemão Schachnovelle

Esta nova colectividade, não dispondo de espaço próprio ocupou provisoriamente um espaço partilhado por diversos partidos políticos, e pela Associação Portugal-URSS. Após um ano, mudamos de instalações para o velho quartel dos bombeiros. O Grupo de Xadrez de Torres Novas participou activamente nas provas distritais, fazendo deslocações aos concelhos vizinhos e outros. Uma das deslocações que mais memória me deixou foi em equipa até à distante freguesia do Couço, bem a sul do distrito de Santarém. Esta deslocação terá acontecido em maio, altura em que o Couço, parecia uma ilha, rodeado por campos de arroz.
 

Estava a pesquisar sobre o nome do Clube que visitamos no Couço - que só pode ter sido a União Desportiva do Sorraia (embora o jogo tenha decorrido na escola primária) que se inscreveu na Federação Portuguesa de Xadrez em 1984 - quando dei com um interessante trabalho  que partilho convosco:

MEMÓRIAS DA RESISTÊNCIA RURAL NO SUL, Couço (1958-1962), Paula Godinho - Dissertação de Doutoramento, Universidade NOVA de Lisboa, 1998.

Percorrendo este trabalho dei com interessantes referências testemunhais sobre as práticas lúdicas de xadrez nas prisões politicas portuguesas, que partilho convosco.

O dia de sábado era dedicado a uma actividade mais lúdica. (…) havia até quem jogasse o xadrez. Isto em todas as cadeias, havia em Peniche e em Caxias também, havia até campeonatos de xadrez. Faziam-se as peças com pão. Pessoas habilidosas, com o miolo do pão que eles distribuíam. 
Arménio Marques Gil
 
Fortaleza de Peniche


“Só visto, e o coração lá dentro: uma vez estava a jogar ao xadrez mais o Zé Victoriano. Estávamos a jogar, e estávamos assim mais um bocadinho retirados da porta. Diz assim o guarda: «Os senhores, se quiseram jogar ao xadrez venham aqui para o pé da porta, que aí não jogam». E o que é que a gente pensou: «Então, se só jogamos aí ao pé da porta, já não jogamos». «Então já não jogam?» «Não»(...) Muitas coisas destas, e o coração estava sempre em primeiro lugar.”  
António Oliveira

Saber mais em:
http://doportoenaoso.blogspot.pt/2010/08/o-porto-onde-nasci-e-cresci1.html
https://run.unl.pt/bitstream/10362/3600/1/paula%20godinho.pdf